Redes e movimentos

construindo sistemas agroalimentares sustentáveis, democráticos e justos

Os movimentos agroecológicos brasileiros

A união entre movimentos do campo, ONG e universidades na luta pela democratização das terras e uma agricultura ecológica e justa, formou no Brasil um dos maiores movimentos agroecológicos da America Latina e provavelmente do mundo.

Nas suas práticas são herdeiros das comunidades eclesiais de base, seguindo o princípio da organização das ações a partir das questões cotidianas das famílias, unindo o macro com o micro, o genérico com o específico e o local com o global.

Outro principio é o estímulo da colaboração e de inovações com tecnologias sociais, criando serviços comunitários e fortalecendo a organização das iniciativas locais. O terceiro princípio é a revitalização da cultura local, com uma nova leitura da realidade e novas metodologias de ação (veja Paulo Petersen 2007, 11-12).

Assim os movimentos agroecológicos avançaram a nível de sua organização e capilaridade, o diálogo sobre modelos alternativos e a construção de metodologias participativas, concretizando as utopias sobre outros mundos possíveis.

A organização dos movimentos do campo
As organizações das agricultoras e agricultores, e das trabalhadoras e trabalhadores rurais se fortaleceram durante as décadas de luta pelos seus direitos e o acesso à terra.

São atualmente mais de 4000 Sindicatos organizados em 27 Federações dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar- FETRAF, que formam juntos à Confederação Nacional CONTAG e o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – MSTTR, que realiza mobilizações como o Grito da Terra Brasil, a Marcha das Margaridas, e o Festival da Juventude.

Construíram o Projeto Alternativo de Desenvolvimento Sustentável e Solidário – PADRSS como ferramenta estratégica para uma vida melhor dos que vivem no campo e criaram políticas publicas para a distribuição de renda.

O Movimento dos Sem Terra – MST se transformou nos últimos anos com a paralisação da reforma agrária, investindo mais na melhoria da qualidade dos assentamentos. As famílias receberam créditos para a produção e o acesso a serviços de saúde e criaram-se mais de 400 associações e cooperativas.

Foram fundados 96 empreendimentos para a produção de sementes (BioNatur) e alimentos ecológicos, contando com um universo de 500 mil famílias das quais 350 mil estão vinculadas ao movimento e 150 mil diretamente, organizadas em 24 de 27 estados.

Foto: Angela Küster

Encontro Nacional de Agroecologia – ENA

O primeiro ENA foi realizado em 2002 no Rio de Janeiro, onde a agroecologia ganhou visibilidade como movimento nacional, contando com a participação de 1.200 pessoas.

A partir do ENA foi criado a Articulação Nacional de Agroecologia – ANA como espaço de convergência entre os movimentos, redes e organizações da sociedade civil, uma rede de redes, que mantém a diversidade na unidade. Foi construída uma metodologia de ação, reflexão e exercícios coletivos como essência da proposta agroecológica.

No II ENA em Recife 2006 foi iniciado o mapeamento das expressões em agroecologia no país, a plataforma agroecologiaemrede.org.br conta com 890 registros de experiências agroecológicas georreferenciadas.

Em 2009 foi integrada com o intermapas, que registra também experiências de economia solidária.

O III ENA realizado em Juazeiro do Norte em 2013 teve como lema “Cuidar da Terra, Alimentar a Saúde e Cultivar o Futuro” e contou com 2.100 participantes, ressaltando na sua carta final a importância da resistência dos jovens, especialmente das mulheres, defendendo o direito do acesso à terra, a educação do campo e políticas públicas de apoio à produção e comercialização.

O tema do IV ENA, que aconteceu inicio de junho em Belo Horizonte, teve como tema “Agroecologia e Democracia unindo campo e cidade. Foram cerca de 10 mil pessoas ocupando as ruas da capital, semeando as mensagens de resistência e esperança dos povos do campo, das cidades, das florestas e dos mares. 

Veja a carta política aqui

e nos notícas da terra N°15

O Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA)

Atendendo à demanda para a apresentação, publicação e debate de trabalhos científicos nos campos da agroecologia foi realizado o I CBA em 2003, junto com o V Seminário Estadual e o IV Seminário Internacional em Porto Alegre.

Nesse evento foi deliberada a criação de uma sociedade científica para assumir a promoção desses congressos. Em 2004, durante o II CBA, foi fundada a Associação Brasileira de Agroecologia com o objetivo de unir os profissionais que se dedicam à agroecologia e ciências afins.

Os congressos e o trabalho da ABA-Agroecologia tem incentivado a formação de sociedades e redes para o desenvolvimento de programas de ensino, pesquisa e extensão.

Atualmente são 90 núcleos de pesquisa nas universidades e instituições federais e existem mais de 120 cursos de agroecologia.

Desde 2007 os CBA são realizados bi anualmente em diferentes estados, o X CBA está sendo organizado para 2017 em Brasília junto com a SOCLA – Sociedad Científica Latino Americana.

Diálogos e Convergências

O Encontro Nacional de Diálogos e Convergências reuniu 300 representantes, em 2011, de algumas das maiores redes sociais, a partir de um diálogo durante dois anos entre nove redes, movimentos e fóruns, procurando a construção de convergências entre diferentes formas de organização, bandeiras e linguagens, em torno de temas que afirmam alternativas para a sociedade. Trabalharam com uma metodologia inovadora baseada nos pilares do território como espaço onde acontece a vida e surgem resistências e disputas entre os modelos de desenvolvimento; da denúncia crítica, resistência e construção de alternativas, de experiências locais como ponto de partida para a construção política e teórica das diferentes bandeiras da agroecologia, do feminismo, da economia solidária, da saúde, da justiça ambiental e da soberania alimentar e nutricional.

veja a carta política

Educação do Campo
Básico para a democratização dos sistemas agroalimentares e a soberania alimentar é a Educação do Campo, que valoriza a cultura e a vida rural, ao contrário do que foi ensinado durante séculos. Os movimentos estão construindo processos educativos com universidades e consolidando as experiências das Escolas Famílias Agrícolas dedicadas a educação com alternâncias entre teoria e prática.
O MST criou pelo Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (PRONERA), mais de 2 mil escolas nos assentamentos rurais, com a escolarização de 400 mil jovens e adultos assentados, melhorando o nível educacional em cooperação com diferentes universidades.

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